Segunda-feira, Junho 30, 2008

Volare


Foto: Dani Morreale

Começar.
Que este barulho imóvel seja apenas uma intervenção na frente do aquecimento, mesmo lento. Que o silêncio mórbido seja apenas uma invenção por trás do calafrio, mesmo óbvio. Resultado: detalhe da solidão. Nas costuras do sábado. Remendado. Temerário. Temporário. Decisão aquém para ir além. Ontem, sexta-feira de esperança. Hoje, nem a voz de dentro alcança. A noite é feia é fria e desfeita. Nesta capital distraída. Lá longe, no monte de terra, gente unida e reserva de saudade. Saudade que mata no peito, tiroteio de abraço, escala entre dedos. Mãos, irmãs, mães e vozes. Alegria de família. Viva a fogueira e o fogo do meu São João. Viva a bebedeira. Salve minhas besteiras. Caminho na cabeça, caraminholas, coisa e tal. E talvez, um reviver de alegria nos “nossos” próximos amanhãs. Olha, você não entende a importância do passado, revolução de garganta, jovens exilados. Proibindo proibir. A recompensa que cobre essas manhãs. Na liberdade da expressão. Na expressão fora à repressão. Luta pela sobrevivência da poesia. É proibido proibir: falar, escrever, permitir e sentir. Olha, o escuro é lástima. Ser na seca acusa ausência de lágrimas. Boca vazia no cadáver das entranhas. O sangue em pó é solúvel pelo reagente saliva (sua, minha ou nossa? – pra ser tem de haver sangue. Líquido. Vermelho. Quente. No estado que circunde as emoções). Sou solvente dos medos. Sei que você tem medo. Meu medo tem mais medo de não acreditar. Diluindo... O que acredito teve um começo. E começou numa estação. Estar estão dentro da vida. Quando um milésimo de segundo resolveu arriscar. Eu ali, cheia de coragem. Cochichos no ouvido; dizendo: - vai, vai e Vai! Adiciona! Fui. Quando o vagão estacionou na estrada. Arrebentei a porta, a minha. Entrei sem bater. Arreganhei a porta, a sua. Rota de imagem e letra. Distorcidos feitos personagens. Virtual, realidade, virtualidade. Ânimo e risco. Entre dígitos frios, teve a hora de ouvir os tatos quentes. Antes via única. Agora mão dupla. Dois destinos. Trouxe e quis ir. Você buscou. Adicionou. Estava escrito (MAKTUB...)
nas sentenças dionisíacas. Pensa que o orgulho espanta a infelicidade? Não me interessa. Também não interessa o que os outros vão pensar. Esperei dias cheios de séculos. Aguardei noites de lua, cheia de luas (minguante, crescente, cheia e nova) na cabeça. Agora a pausa busca fôlego. Nova sentença, por sentimento do nosso consentimento. New face. Nova fase. Agora é pau ou pedra. Construção da obra, sem gambiarra na reconstrução. Resolver, constituir, habilitar. Quem? Resta saber. Eu aqui, você ali. Ou, eu em você e você em mim. Faltam duas madrugadas. Uma tarde inteira, de novo, vazia. Vou pro topo do mundo. Voar e dormir anestesiada. Último domingo. Segunda-feira é dia D.

De recomeçar.



Sexta-feira, Junho 27, 2008

TITÃne: lança seu novo CD no Stereoteca

O DISCO

"Titane está diferente e vai surpreender o seu público. Principal cantora mineira em atividade, Titane lança o disco “Ana”, experimentando outras alturas para o seu canto preciso e intenso, revelando composições da nova geração de músicos de Minas Gerais.

O lançamento, que traz no título o nome da titã “Ana”, é uma coletânea da nova cena na voz de uma das maiores e mais autênticas intérpretes de Minas Gerais. Em homenagem aos compositores que se revelaram no Reciclo Geral – Mostra de Composições Inéditas, em 2002, Titane selecionou um repertório de mineiridades, registrando composições de Renato Villaça, Makely Ka, Érika Machado, Cecília Silveira, Dudu Nicácio e Kristoff Silva.

Mantendo a marca da carreira artística de Titane, o disco “Ana” apresenta uma experimentação musical refinada, com a participação de Renato Villaça na produção do disco e Rafael Martini em arranjos elaborados com um primor contemporâneo. Makely Ka deixa sua impressão artística influenciando versos e prosas. Entre os músicos convidados, todos talentosos representantes em processo de se fazer descobrir, a diversidade da música mineira interpretada por Titane."

O SHOW

"No lançamento de "Ana", Titane promete uma intensa experiência sonora, a partir da base instrumental desenvolvida por Rafael e Renato, participações de Makely, Kristoff e do engenheiro de áudio André Cabelo, responsável pela mixagem da apresentação em formato 5.1. Este formato, normalmente utilizado em home theaters e salas de cinema, divide os instrumentos e efeitos em seis caixas ou fontes de audição, ao redor do público - diferentemente do formato estéreo, em que só existem duas fontes (L e R) vindo do palco. O formato 5.1 promove uma ampla espacialização sonora, fazendo o som preencher todos os espaços e ter mais movimento. O show conta também com a colaboração criativa do diretor teatral João das Neves, da iluminadora Telma Fernandes, do artista plástico Osório Garcia e do fotógrafo Eustáquio Neves."

STEREOTECA

Dia 02/07, quarta-feira, no teatro da Biblioteca, às 20h30.

E COM VOCÊS


Quinta-feira, Junho 26, 2008

osreversosreversosreversosreversos

Terça-feira, Junho 24, 2008

Sem resposta

Tem noite que sonho um sonho cheio de vida, noutro, sonho um sonho cheio de morte. Na morte [LUTO] a viver no semblante. Na vida vivo a morrer no instante. Voar para próxima hora. A cortina dos olhos abre quando quer e fecha quando necessário. Permito acordar dos sonhos e dormir neles. Desperta de descanso. Saltos em pisos de algodões e brisas com aromas. Com o aconchego de diluir-me sem medo de evaporar. Teimo por apagar luzes e acender escuridões. Transformar o breu em chama nova, nunca iluminada por tatos, lábios, nem olhos de quem diz salvo no mundo de mistério. Contam que imagens são vistas por luz. Teorias sempre claras e relativas por Big Bang, revoluções até costela de Adão. De calor, expansão e explosão. Sempre um boom. Sempre bombas. Nem sempre bom. E aquecimentos. Esquecimentos. Em desentendimentos.

Sou livre de qualquer compartimento.

Prefiro às miragens, destas que a gente se esconde no sombrio dos pensamentos, dando passagens por cor e destino. Vagar. Atrapalhada nas pisadas retorcidas aos pés da dança. De quem vai e vai e vai... Assobio no bico e braços soltos. Imagens que embaralham ventos contra os tempos. Inventos. Gosto de verso de improviso, receita errada e sentimento inexperiente. Aceito os novos ensaios como quem nunca sentiu um beijo ardido. Ser malabarista das incógnitas e fugir das respostas. Sentir a ilusão que acaricia. Acordar da solidão que maltrata. Verificar alegrias entorpecidas nos sorrisos, que por hora, esboçou-se aquela expressão feliz morro abaixo. Contando gota-gota, dosagens de lágrimas. Catando gota-gota, busca de palavras.

Segunda-feira, Junho 16, 2008

Abaixo a censura

Que toda manipulação existe desde as extremidades esquerdistas e direitistas, neste mundinho múltiplo capitalista, é óbvio. Não há margem que somos o tempo todo, monitorados e também direcionados à inexistência de um porta-voz verdadeiramente ativo com interesses iguais a todos. Não sei quando nem como muito menos aonde vamos encontrar um apoio sólido que defenda em primeiríssimo lugar nosso meio ambiente (sem preservação e auto-sustentação há quem diga e as evidências indicam que ao passar dos anos a água será escassa como muitos animais hoje estão extintos, os ares poluídos e a degradação vista simplesmente como uma transformação natural – isso mesmo, referente à própria natureza). Que defenda a liberdade de sensos – que a “geléia geral” tenha em suas mentes instruções a manter um posicionamento crítico, sem discurso marcado de interesses miseráveis – dou-lhe uma e dêem-me algumas.

Que defenda a contra censura, isso mesmo a CONTRA CENSURA. Nos tempos dois mil e bolinhas assistimos sentados no sofá a saúde nos bolsos de magnatas e uma defesa fantasiada de seu reino. Os quais tapam os olhos da classe majoritária que não concluem os passos levados ao calabouço através de meios de comunicação abertas e BEM PAGAS. Na divisão das águas, dos que puderam à oportunidade de estudos e dos que não puderam, dos que podem aos acessos das novas tecnologias e dos que não podem, há uma incompatibilidade em números, falo principalmente aqui, no Brasil, dos que aceitam e que não aceitam calados. Penso como alastrarmos a voz fora dos meios baratos e arrancarmos estas vendas vendidas dos pobres manipulados. Não temos um sistema firme para criarmos movimentos revolucionários, este tempo já era. Seremos massacrados pelos poderes. Entraremos no bolo daqueles formadores de opiniões que foram demitidos dos grandes veículos de comunicação, apenas por expressar VERDADES. Até mesmo os críticos, neste instante de tensão, se calam por excitação de seus aconchegos. Pra quê enfiar a boca no trombone? Ah não, dá muito trabalho... Poderão perder suas reputações na sociedade. E amanhã? Vão tomar cafezinhos, lerem os jornais e rirem com deboche das falcatruas finais das CPIs sempre terminadas em pizza. Confesso, também sinto receios, mas não posso calar diante de minha indignação. Nem cito a criminalidade nos morros, muitos vitimados e orientados pela própria corrupção que sai da base do planalto.

Salvo aqui, não tenho interesse político, não levanto bandeira de nenhum partido que abasteça uns e abortam outros. Também não sou isenta do meu posto, nem sigo o fluxo conforme o tráfego. Pudera eu ter àquela voz que cito ali em cima, de orientar e defender o que nos parece ser mais justo/evidente. Fico apenas inconformada com toda esta manipulação que a mídia faz sempre em cima da balança, com o peso bruto do dinheiro. É o que movimenta o mundo sem medo de o mundo parar de movimentar.

Segue abaixo o vídeo sobre a CENSURA no governo de Minas Gerais. Como disse minha amiga Brena Braz, assistam logo, antes que o governo mande/pague o youtube tirar fora do ar...



Abraços e boa semana pra nós – com sensos e sem censos.


Segunda-feira, Junho 09, 2008

Pra lá dos ortodoxos... sem mantras!




Deglutindo o blogue Letras Despidas no post "Orientação de dois valores na língua” divagando com muita pressa cheguei num assunto que gosto muito. Deixei um comentário lá que me valeu este post aqui...

E por que não pensar que entre o certo e errado não existe nenhuma distância? O que é errado para mim pode ser certo pra você, e vice e versa. Na verdade os paradoxos se interagem, aí que formamos o senso-real/irreal crítico. O que prevalece é o individual. O meio em que cada um vive e os acessos que os orientam e os disponibilizam.

Na verdade não existe verdade, na mentira não existe mentira. Depende de como cada um compreende e interpreta e/ou interpela cada situação.

Pense na cultura de cada nação, existem paradoxos de bases aos extremos! Oriente Médio versus Ocidente. Não há menção para julgarmos meio-termos. Se levantarmos argumentos justos corre o risco de cairmos sem saber a forma justa de se levantar.

Dentre a distância deste paradoxo, prefiro pensar no ser a ser flexível. Compreender os sentidos por meio das vontades. Acionar as vontades pelos sentidos. E sentir, compreender, desentender e recriar formas/fórmulas de habitar dentro e fora deste mundo codificado.

Nana Neném...


sino em minha sina
bateu na tua vida
feito chocalho raro
tremeu toda vista
apenas uma visita
meninos e meninas
os finais hão de ficar
Nino e Nina
soam as versões
versos de orações
canções de Ninar
.
.
.
.

Mínimas...


.

agora: ... tudo que é poesia virou prosa
.
.
durante: a dose boa só trago dos bons...
.
.

depois: como o que era... a era comeu


Terça-feira, Maio 13, 2008

Dani no Macabelagem

É genteee, agora estou lá no blog literário do projeto Macabea. Hoje foi publicado pelo editor, André Jerico, a chamada para um texto meu:

"Dani Morreale - Essa doida enviou seu texto pra “torne-se um colaborador” e, só hoje, lendo novemente, com a devida atenção vi que tinha caldo de sururu nas mãos. Taí postado no Macabelagem…" André Jerico

André, agradeço pelo espaço! Adorei o "doida" e o layout que leva o texto.

Valeu!!!!!

Terça-feira, Maio 06, 2008

quando e quantos

quando entre contos
meus quantos e sonhos
uma conta errada
num trocado certo
a luz sem fio
acende um circuito longo
a curva lenta
segue uma rápida reta
o meu salto agulha
descansa plano
correndo a esfera
em certo desencontro
abro as portas
para os olhos rirem
e meu corpo descansar

Sexta-feira, Maio 02, 2008

Nós firmes

Amarados em nós

Domingo, Abril 13, 2008

A canção


A música que ouvi não é a mesma de ontem. Amanhã... Escutarei instrumentos abafados, timbres suaves, um frisson da hora. Elementos novos, alguns dissolvidos por cordas, outros afobados por sopros. Um toque numa nota nova, nota inventada. Nenhum Mozart, Bach nem Vila dos novos anos descobrirão. Uma nota desmembrada, não há dó, ré, mi que o faça. Nem palavras. Só os ouvidos de fora que interagem os de dentro poderão entender. É barulho de gente. De gente formada por espectros especiais. De gente que não entende, mas sente. Sentir é existir a beleza da criação.

Sexta-feira, Abril 11, 2008

Extensões estendidas

Quem me conhece sabe, mesmo com todo meu distúrbio de déficit de atenção para coisas baldias, mesmo com toda convulsão causada por informações em demasia sem interlocuções sadias, permaneço viva na saga da mulher polvo. Mil e um tentáculos para mil e umas tentativas de sobrevivência. Nos últimos dias saí pela rede pesquisando ares musicais não tão abrasileirados, como a italiana, chinesa, angolana, francesa, alemã e por aí fui. Meus ouvidos e miolos estão bem agradecidos. Os efeitos colaterais são diversos, a cada canção uma manifestação entra em vigor. Recomendo para todas as pessoas fugir um pouco da extensão.br e navegar por novos mundos bem estendidos. É deliciosamente alucinógeno e incrivelmente interessante, bem interessante!

Para quem não conhece, dica:

Amélie Les Crayons – cantora estilo lápis de cor, maravilhosa, que tive o prazer de conhecê-la, o responsável disso? Meu mais novo colegamigo Ricardo Moraleida. De quebra, ainda, ganhei um DVD sensacional. Valeu Moraleida!


Quarta-feira, Abril 09, 2008

Cata-ventos


Me deixa oculta? Só preciso limitar a circunferência. Dá licença? Sei que posso aumentar meu raio da sua distância, só isso! Não quero ramos verdes, flores brancas nem um poema cuspido e declarado.

Não quero nossa insistência de um instante paladar. Preciso devorar, comover e confessar as insatisfações por ouvido abaixo. Que o percurso leve até os brônquios, braços e coxas a exultação de leveza e bem-estar.

Que me invadam os nervos, não preocupo, porque estou armada até os dentes contra todos os desamores.

Aprendi a ter paciência quando meus ouvidos não agüentaram esperar a chatice da febre no cérebro e no mundo passar.

Queria ouvir os barulhinhos bons e ruins. Agora não, fico amiúde com meus ruídos e rumores, sem querer ouvir nem admitir nada. Acolhida pela transição de tempo em era. Vivo a olhar longevo, como se minhas escolhas não fossem nada além dum único horizonte.

Sem apelos!

Esperar não é diminuir a inconseqüência, mas uma felicidade para cultivo da calma. O que espero não vai além de mim. Engrandeço o estado do espírito e sinto o sorriso despertar como fazem as pestanas pelas manhãs.

Aguardo mas caminho, com ou sem atos. A noite passa num toque de sino embaralhando as brisas e sonhos, soando a chegada da nova hora. Uma noite vale o sentimento por toda história.

Habitar é saber partir. Em todo tempo o tempo todo. Partimos num susto, que se desenvolve entre soluços e desmembra-se numa invenção. Inventam-se mundos e fundos. Receitas e desenganos. E a gente se ajeita sem fronteira, sem medo de cair da cama.

É assim que vou...

Engaveto o passado nas estantes de labirinto, deixo perder.

Abro também as portas, para novas e futuras memórias apresentar-me. Acordar é bocejar o mundo, invadir a presença onde ela deve realmente estar.

Empurrar a sorte para os cata-ventos, isso sim é um exercício equivalente para quem se permite aventurar.

Quinta-feira, Março 27, 2008

alminhalminhalminha


Estou na vida como quem caminha em cima da morte
Meus pés não são limites dos meus sonhos, prefiro asas
Este meu ser indomável, deficiente e curioso
Cria e recria situações de vôos longos
Porque estas minhas lágrimas não são minhas
Apenas restos de todos antepassados
As cinzas que sujam nossa face é uma guerra dos fadários
Um viver memorável e sustentável incrível
Células semânticas somadas de ontem agora e do fim
É a lei dos deuses, é a lei dos homens
É a lei do homem que criou seus deuses
Para perder o domínio e aprender a dominar
Cruzo olhares com meus olhos, olho meus cruzares
Um signo de amém que vai além de uma mente fresca
Um regozijar de conforto estacionado no berço
Nascer é dar a face ao crime da intolerância
É preciso saber encontrar-se, mas a ida para o eu é um labirinto
A arte o espelho da vida curada e a vida um reflexo doente
Não sei se minhas dores são repulsas dos olhos
Ou se meus olhos repulsam imagens distorcidas, e doem!
Não é dor que atinge a cútis, é uma infeliz dor que massacra a alma
Doloroso sentimento de minha alma, alma minha, alminha
Quando estou fraca sou terreno expansivo e fértil
Quando sou forte sou terreno baldio e fétido
Enquadro meus olhos em círculos ilhados
Percebo nas horas de vertigens a febre do mundo vulcânico
E me torno rocha salgada, apanhada e cedida
Concedo líquidos espessos sem cores
Para infiltrar-me na teia dos dias arrebentados
Para quando houver um dia regado de vida
Desaguar e padecer como um grão de observação
Pra nada

Terça-feira, Março 25, 2008

Segunda-feira, Março 24, 2008

Poemagora


Dormir a tarde me leva ao trono

Trabalho com sol e sono

Sem sonho

Esse cansa de bocejar


Volante Coração

Na estrada e escuridão

Completo um inverno no verão

Reflexo é vazio curto em tempo

A vida uma vista na linha de nylon

Uma emenda de retalhos

Feito pontos de néon

Apenas detalhes de palavras

Sim e Não

Estou lá...

No destaque desta semana, no site "Poetas do Brasil".

MINHA POESIA

Minha poesia não é afiada
Não despedaço em fatias
É peça de mim inteira

Minha poesia não é de concreto
Não construo em pavimentos
Soa alto-falante do meu silêncio

Minha poesia não são sonetos
Não há sons nem duetos
Acerto e reboco um bocado de consertos

Minha poesia não é marginal
Não entra em cena
Não cheira sangue
Sangra pra dentro

Minha poesia não é de vanguarda
Despede da hora
Esquece o agora
Não lembra nem profetiza nada

Minha poesia é péssima notícia
da humana-idade que sufoca
no jornal do escuro desta cidade

Uma chave para estrada
O volante para escada
Uma porta para entrada

Não uso régua para dar passos
Não uso absinto para traçar faros
Piso errado no asfalto
Cheiro o abismo no travesseiro

Troco o bem pelo mal
Toco o amor no ódio
Sufoco meus recortes de anseio
Invoco meu dons

Sem receio
crio poesia sem o meio
de qualquer dedo


Quarta-feira, Março 19, 2008

Lá no Palavreiros


Genteee, o texto abaixo "O que é viver?" foi publicado lá no Palavreiros. Dêem um pulo lá.

Beijos

Sexta-feira, Março 14, 2008

O que é viver?


Foto: olhares.com

Falei com meus botões que os buracos só serviam para prender a elegância. Eu estava certa. Não importa as remendas os retalhos nem o xadrez da roupa. Andar cru e nu é sinal de atropelos na dignidade.

É preciso tapar os sexos e cozinhar bem a carne! O reverso disso é um estado roto. Os preliminares começam no principio da história, como os prefixos, os pontos e também os nascimentos.

Comecei a vida assim, no INdigno ponto da parição. Acordei sem nenhuma veste e minha pele era alvura estatelada nas mãos da genitora. Nasci atropelando o manual de instrução. Fiquei vermelha rápido.

Quando desmamei, aprendi a falar palavrão, não digo palavra grande de baixo escalão, mas de palavras com teor de autenticidade pura. Estava firmando a personalidade fora o mundo de fora.

Criei um parlamento, montei minha comissão. Mas ninguém era suficiente fidedigno com si para levantar bandeira pacífica de uma existência sem vergonha. Eu fui apedrejada desde sempre nas praças da impunidade.

No principio onde tudo era branco fiz logo o cinza-sujo brotar, que era a cor forjada, que escondia das crianças inocentes a verdade pros olhos, que era como um conto de fadas.

Mundo embalado de fumaça. Tive de aprender a ser contorcionista cedo, equilibrando corpos em copos in copa e colossos. Tirando, rasgando, arrancando as embalagens. Sempre com muita sanha.

Em cada desembrulho era um embrulho no estômago. Minhas vertigens começaram aí, ao dar a cara nos lixões, manipulações, doenças desenvolvidas, mentiras e muitas cores escuras.

Quando cresci, pensei que minhas pernas eram grandes para dar rasteira na hipocrisia. Mas não era nada, a hipocrisia é um titã. Difícil, quase impossível, encarar esse duelo.

Depois de alguns tombos e anos, voltei a andar na corda bamba de quando meu corpo ainda pelejava em ser leve. Agora, com peso nas costas, cérebro gelado, cílios resfriados e meus olhos atônitos. Continuo buscando o equilíbrio mesmo zonza.

Ainda, na esperança dos meus músculos sentimentais, de empurrar o peso de uma vida que roda, roda e roda sob um sol aquecido. Persisto. Com minha casca dura e invencível tenho fé dos passos nesse espaço especial.

Abrir as cortinas dessa história milenar, engraçar os prazeres, enganar os desprazeres, encostar-se às gargalhadas e realmente viver sem discriminação na realidade dos desamparados.

Isso pra mim é viver!

Terça-feira, Março 11, 2008

Comendo Uva na Chuva (Karnak)

Comendo uva na chuva
Cada água que cai do meu rosto
É uma chuva que ainda não parou
Cada água que cai lá de cima
É a lágrima de alguém que brigou
Será que um dia a gente vai parar de briga
Será que um dia a gente vai parar de brigar
Cada raio que cai lá de cima
É uma luz no meio da escuridão
Cada tapa que recebo no rosto
É a chicotada de um furacão
A gente se sente
A gente se sente diferente
A gente se mente
A gente se mente diferente
A gente semente
Semente plantadinha no chão
A gente na mente
Na mente e no coração
I'm not from this world
I came from Atlantis

Segunda-feira, Março 10, 2008

A poesia e o dia

Imagem: Jean Fautrier


Hoje amanheci antes do sol, era escuro e meus olhos queimavam no clarão brando de minha ânsia.

O sonho foi floral; havia girassóis, tulipas, lírios e um sorriso de criança que corria sobre um carrinho de rodas de rolimã num labirinto com cheiro de grama fresca.

As risadas da inocência contagiaram meu sono. Foi assim que acordei.

A janela do quarto ria de mim, parecia continuação do sonho, era apenas um despertador pássaro, beija-flor ou talvez bem-te-vi, que permanecia fazendo festa ao espreitar o sol nascer e meu particular amanhecer.

Entre o espreguiçar com direito a bocejos e um abrir de olhos grudentos, sentia o inicio da jornada tomada pela sensação da vida – a sensação da vida é o êxtase da alma.

Quando a gente acorda é sinal de que ontem realmente foi-se, bom ou ruim. Mas que o daqui a pouco vai chegar e é preciso acelerar os ritmos agora.

Quem acelera os ritmos é o coração.

Nos últimos tempos meu coração não é o mesmo, está bombardeando rápido o ritmo.

Levantei-me contorcendo inteira e saltei da cama, feito minhoca. Senti que hoje era um dia especial. Dia de contar felicidade pro meu ser único. Hoje também é único.

Dias assim costumo escrever poemas. Forma simples de falar o simples. Daquele dia, de ontem, de agora e do que pode vir a ser.

Dentre todos os critérios da poesia, acredito que há uma boa forma, que passa pela estética e técnica de expressar ao conteúdo da fórmula mágica de conter.

Não adianta escrever poesia sem colocar nela suas mãos. A poesia é feita pra tocar, às vezes toques suaves e outras vezes toques pesados. São toques. São trocas.

O final da tarde é como um final de livro, não vai mudar o protagonista. Nem o que foi narrado.

O começo do dia também.

Perceber o simples. Contar alvorada. Escrever os sonhos.

Assim que faço. Assim que dou ação para minha vida. Hoje acordei feliz.

Sexta-feira, Março 07, 2008

usual

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

lucrATIVIDADE



...
Um breve som de bolso

que não contamina ouvido
durante seu trajeto
só carrega o que fica


...

Bunraku sem bonecos



Genteee, esse vídeo que o querido amigo artista Marco Buka enviou é sensacional. Mostra a técnica do teatro japonês Bunraku, só que ao invés de bonecos são os atores que comandam o palco. Neste narra o desespero de uma mulher para fugir da chuva e não molhar a cabeleira. Os movimentos traçam muito bem as expressões e evidenciam as cenas de forma super divertida.


ps.: Depois que eu já tinha postado o vídeo, eis que me chega Buka Buka e diz: - Dani, você viu até o final? É um viral pra campanha da Dove!!!!

Aff, que da arte pela arte, prefiro manifestar o bom tom do espetáculo. E como sou frenética meeeeeeesmo, deixei despercebido a intenção. Melhor assim!

ser/são piada

Um trem bate em um ônibus cheio de freiras, e todas morrem.

Elas estão todas de frente para São Pedro, tentando atravessar os portões do paraíso. O Santo pergunta a 1ª freira:

- Irmã Teresa, você alguma vez, já teve contato com um pênis?

A irmã sorri, timidamente, e responde:

- Bem, uma vez eu toquei a cabeça de um, com a pontinha do meu dedo...

- OK. Diz o porteiro do céu. Enfie a ponta do dedo nesta bacia com água benta e atravesse o portão...

São Pedro pergunta, então, à 2ª freira:

- Irmã Rosa, você alguma vez teve contato com um pênis?

A irmã reluta um pouco, mas responde:

- Bem, uma vez eu segurei e acariciei um...

- Sendo assim, determina São Pedro, enfie a mão toda na água benta e atravesse o portão.

De repente, forma-se um tumulto na fila das freiras. Uma delas começa a empurrar as outras para passar na frente.

Quando a freirinha afoita chega ao início da fila, São Pedro pergunta:

- Irmã, Irmã... qual é o motivo da pressa?

E a freira responde:

- É que, se eu vou ter que fazer gargarejo com essa água, melhor fazer agora antes que a Irmã Jurema lave a bunda!